Tuesday, August 17, 2004

Sutil & Silenciosa...

Madrugada, aniversário de um dos meus melhores amigos, Louis Granot...benção de Deus pra minha vida...e pro mundo também!!!

Ao som de "All Heart", Mike Stern, Deixo essas palavras....

Abraços,

F.B.
Sentia o corpo cansado, exausto dos dias repetitivos, gris, tediosos. Parecia que a Natureza oferecia uma Tristeza Outonal que convergia para um Inverno Fúnebre, percebia que essa herança climática ecoava em seus músculos, pulsava em seu sangue, afligia os ossos.
Diante dessas ambiguidades íntimas, conhecia as pessoas, notava que a busca delas era perigosa e atraente ao mesmo tempo. Fugia desses humanos, “Obras do Absurdo”, pensava ela. Pois quando havia o Encontro, poucos escaparam. As pessoas, por mais que conhecia com o passar dos anos, tornavam-se mais desconhecidas, indiferentes, sombras do acaso. Por mais que experimentasse as peles, não aquecia-se com o Abraço. Imaginara, como um dia arrancaria o coração dos trausentes dessa existência passageira...

Estranhava e imaginava que na medida que sentia-se mais íntima dos humanos, eles seriam mais transparentes e sinceros. Se enganava. E isso era que a encantava. Esse Mistério que Alguém escondia na intimidade desses desconhecidos, que ninguém conseguira ler.
Sentia-se ambígua, havia um díade que lutava dentro de si. Ela atraía, quando percebia, agarrara a intimidade dos humanos e, diante disso, fugia eles.

Eles, consciente ou inconscientemente, procuravam-a, sem tino.

Percebera que era íntima da Solidão, irmã do Vazio, do Vazio de Palavras, de Palavras Concretas, não as tagarelices que os hipócritas soltavam ao vento. Percebia, mesmo com as pessoas à sua busca, de forma inconsequente, latente, tinha consciência que naquele momento não havia receptores para a sua voz, parecia que emitia as notas graves, o contralto, timbre de sua voz ia de encontro ao Nada.

Sutil, dona de uma beleza distinta, não acha-se nos padrões comuns. Encontramos-a oculta, das formas mais casuais. Através do desconhecido cheiro da pele, no torpor dos toques, delícias fáusticas, a adrenalina da moto em alta velocidade, o perigo consciente, a consciência culpada e os corpos esculpidos e semi-nús das Donas das Esquinas, aonde alí, vendem suas delícias.

Des-cobrimos, há pessoas que até pagam para encontrá-la.

Com ela, a alegria primaveril inexiste, in-existe, não existe.

Cansada, deita na velha cama, coberta de amarguras, com os cabelos negros cobrindo o rosto, quem é ela, como se chama?
Boa noite,Srta. Morte.

1 Comments:

Blogger Luciana said...

Boa noite, amigo inquieto!
Amei suas reflexões e sinto-me impelida a falar sobre a vida (e por que não a morte?)
Morte dos meus desejos, morte do meu ego, morte do meu Cristo e sua ressurreição.
Espero sua visita www.textosecontextos.blogspot.com

Sua atintulada amiga, Lu

3:43 PM  

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